Por que é tão difícil pedir DESCULPAS?
Por que é tão difícil pedir desculpa?

Por que é tão difícil pedir DESCULPAS?

Você se lembra da última vez em que ousou pedir desculpas de verdade para alguém, em uma situação realmente difícil? De fato, como se sentiu antes e depois de se desculpar? Ainda assim, lembra-se do que falou durante o pedido e o que foi relevante para que ele fosse aceito?

 

O ato de pedir desculpas é como um prato de salada: não é o mais saboroso, mas faz bem. Por isso, ao se desculpar por algo de errado que fizemos na vida de outra pessoa, apagamos ou diminuímos seus efeitos, além de tirarmos um peso das costas.

Atualmente, o foco da psicologia são estudos sobre a perspectiva da vítima e como o pedido de desculpas estimula o perdão e a cura. Contudo, neste artigo, mostraremos um novo ponto de vista: o do transgressor, ou seja, o que teve uma atitude de caráter duvidoso para com outro indivíduo. Mas o que faz com que ele peça desculpas ou não?

Vamos ver alguns pontos dos estudos da pesquisadora Karina Schumann, da Universidade de Pittsburgh, sobre o tema. Confira!

 

Por que as pessoas têm dificuldade em pedir desculpas?

 

1º Por conta da lacuna de magnitude, ou seja, a pessoa que cometeu a transgressão não acha que seu ato foi tão grave, ao contrário do que pensa a vítima;

2º Porque o transgressor não se importa o suficiente com os sentimentos da outra pessoa;

3º Em razão do egocentrismo e da falta de empatia do transgressor.

Outro ponto da pesquisa de Schumann nos mostra que é mais fácil pedir desculpas quando cometemos algum erro insignificante e que não reflete na nossa autoimagem. Desse modo, bater o carrinho de supermercado em alguém não afeta sua imagem, por isso, é mais simples se desculpar pelo ocorrido.

Entretanto, há uma longa lista de erros que podem refletir mal em nosso senso de quem somos ou de quem gostaríamos de ser. Aliás, quando nossas atitudes refletem nestes pontos de referência, é mais complicado pedir desculpas, pois o pedido chama a atenção para aspectos negativos do nosso comportamento, trazendo culpa e vergonha. Ademais, ninguém gosta de ter esses sentimentos, não é mesmo?

A perspectiva de desculpar-se enfraquece a sensação de que somos “boas pessoas”. Assim, pedir desculpas coloca um comportamento vergonhoso em evidência. Por isso, desculpar-se é uma ameaça à nossa autoimagem. Isto é, este fato explica porque pessoas com baixa autoestima tendem a ter mais dificuldade de pedir desculpas. Já que ao evidenciar um erro, elas sentem como se tivessem perdido o pouco valor que dão a si próprias.

Geralmente, após o pedido de desculpas, tendemos a nos sentir melhor e com mais integridade. Mas, na prática, preferimos não nos desculparmos e escondemos nossas atitudes ruins e questionáveis.

 

E como melhoramos nossa autoestima e autoimagem?

Concentrando-nos em nossos valores centrais. Desse modo, parecemos mais dispostos a pedir desculpas sinceras. Mas o que é valor?

Para o estudioso Edgar Henry Schein, existem aspectos visíveis no ser humano, que são nossas ações e nossos comportamentos. Em princípio, eles são explícitos, conscientes e observáveis. Mas existem outros pontos que ficam no nosso subconsciente: nossas atitudes, crenças e suposições, além de nossos valores. A saber, são eles que permearão nossas ações cotidianas.

Logo, os valores definem nossa personalidade, nosso comportamento e nosso modo de agir com o próximo.

Lista de valores

Uma boa maneira de transferir sua autoimagem, aquilo que está no seu subconsciente, para um lugar “visível” é fazendo um exercício simples. Em primeiro lugar, escolha os 3 valores mais importantes para você e faça um ranking, classificando entre 1º, 2º e 3º mais relevantes. Em seguida, reflita sobre quais são suas ações em relação a estes valores, o que você faz para praticá-los no dia a dia. Dessa forma, é possível gerar uma autoimagem e elevar sua autoestima.

 

 3 elementos para uma boa forma de pedir desculpas:

1- Aceite a responsabilidade

Não sugira que forças externas sejam culpadas pelo que aconteceu.

O que não dizer: Você está exigindo muito de mim e simplesmente não consegui fazer isso, então eu acabei desistindo.

O que dizer: Desculpe por não aparecer para ajudá-lo a se mudar quando disse que faria isso.

 

2- Não desqualificar o pedido

Nunca use “MAS” ou “SÓ QUE” nas frases. Ambas as opções desqualificam emocionalmente tudo o que foi dito antes delas.

O que não dizer: Me desculpe por ter feito você se sentir abandonado, mas eu não percebi o quão grande era o trabalho e eu tinha outras coisas que precisava fazer naquele dia.

O que dizer: Eu quebrei sua confiança e desconsiderei seus sentimentos.

 

3- Faça uma oferta sincera

Você pode oferecer um esforço sincero para evitar que o mesmo fato aconteça no futuro ou para reparar o dano causado.

O que não dizer: Podemos nós dois tentarmos melhorar nossa comunicação da próxima vez?

O que dizer: Sei que cometi um erro e quero ajudá-lo a reparar isso. Não consigo voltar no tempo, mas posso oferecer…(sugira algo para reparar o erro).

Quando oferecemos algo que mostra que estamos arrependidos a aceitação do pedido de desculpas vem mais naturalmente.

 

O poder da vulnerabilidade

Sempre que pedimos desculpas por algo mais grave que fizemos, estamos trabalhando nosso poder de vulnerabilidade. Sem dúvida, ao contrário do que muitos pensam, se mostrar vulnerável não é uma fraqueza e, sim, uma demonstração de força. Assim, é necessário trabalhar nossa vulnerabilidade na frente de outras pessoas. Para isso, entra o pedido de desculpas sincero, que se torna uma maneira de mostrar vulnerabilidade e, consequentemente, o quanto somos fortes. Veja o TED abaixo para saber mais sobre o tema:

Outro ponto importante para aprendermos a pedir desculpas por nossos atos é a empatia. Certamente, por meio dela, conseguimos sair do egocentrismo. Isto é, ao nos colocarmos no lugar do outro, evitamos fazer aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco.

Espero que o artigo tenha sido útil para você e se quiser mais conteúdos relacionados a isso, dê uma olhada no nosso canal do youtube:

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Autor: Charles Betito, fundador da Mind Station, uma plataforma de conteúdos baseada em mindfulness e consciência aplicada.

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